sexta-feira, 22 de junho de 2012

No ginásio (I)


Noite, dia de semana.


Onze horas.

No balneário, após o teu treino, tiras a roupa.

Deixas a parte de baixo, enquanto te sentas calmamente, relaxando um pouco após a actividade física. As pernas doem-te. Com as mãos, massaja-las para tentar restabelecer a normalidade da circulação sanguínea.

No clube privado, todas as outras utentes já saíram. As monitoras também. Resta a recepcionista.

Ficaste para o fim.

Abres o cacifo, retiras a toalha e o gel de banho. Tiras a parte de baixo, as calças de lycra e as cuecas. Cpmpletamente ensopadas.

Metes tudo dentro do saco, que deixas aberto em cima do banco, mesmo à frente do cacifo.

Cansada, deitas-te nua em cima do banco corrido.

As tuas costas colam-se totalmente à madeira. O frio do banco contrasta com o quente do teu corpo. Esse arrepio que te provoca deixa-te os mamilos rijos. O teu corpo estremece um pouco até se ambientar. Segundos. Poucos.

As luzes fluorescentes do tecto já se apagaram. Restam as amarelas das paredes. Indirectamente, iluminam as tuas curvas. A tua sombra surge desfigurada no chão e na parede contrária.

A quietude do ambiente confere-te a segurança da solidão.

Recolhes ligeiramente as pernas, que agora formam um ângulo recto.

Esticas os braços acima da tua cabeça. Forças um pouco.

As vértebras estalam, ao separar-se ligeiramente. Uma sensação de prazer invade-te com este acto. Fechas os olhos.

Inspiras calma e profundamente.

E assim ficas alguns minutos, com o corpo transpirado, sem um único pêlo.

Não há ruídos. Os sons são abafados lá fora pela temperatura controlada do balneário. A porta e as janelas altas, calafetadas e opacas, isolam o espaço.

A gravidade alia-se ao cansaço para que os teus joelhos se separem. Os pés juntos, em equilíbio no banco corrido.

Algum ar envolve o teu sexo, agora totalmente exposto a quem entrasse. Sentes a pélvis e os ossos da bacia alargarem um pouco.

Expiras lentamente. O tempo passa devagar.

A posição começa a ser desconfortável. Então levantas-te por fases. Primeiro as costas. Agarras os joelhos. Abraça-los.

Depois os pés no chão, um de cada vez. Calças os chinelos e levantas-te.

Soltas o cabelo, que agora te escorre pelos ombros.

Diriges-te à zona de duches. Pensas no teu dia: duro, comprido.

A toalha fica no cabide.

Abres a água e aguardas que aqueça. Afastas-te para que não te toque a água fria ainda nos canos.

Três duches na área comum. Abres os três para aquecer o ambiente. A água começa a aquecer e escolhes o do lado esquerdo, mais longe do acesso.

Só o som da água em queda irrompe pelo silêncio.

Molhas o cabelo longamente. A sensação de acalmia é progressiva.

A cascata de água é interrompida pelo teu corpo, que esfregas agora suavemente com o gel. As tuas curvas obrigam a água a um bailado e acaba por estalar no chão.

Rendes-te à temperatura. Empurras a parede, com os braços abertos.Esticas o rabo para trás. Deixas que a água te bata nas costas.

Abres as pernas e fechas os olhos.

Os mamilos conduzem a água até ao chão.



(continua...)

1 comentário:

Sutra disse...

Estiveste cá em 2012 e nem avisaste? :D