sábado, 23 de abril de 2011

O palacete (parte I)



O motorista parou o carro em frente à mansão. Abriu-me a porta. Antes de sair, acerto o laço no pescoço. Apoio o pé direito na saída e o cascalho cede ao meu peso, sem se sobrepôr ao meu sapato de Ajeito o smoking e olho em redor.
À porta, dois dobermanns pretos sentam-se imóveis, como se cristalizados pela voz do dono. Sei que não são embalsamados pelo movimento rápido do seu esterno. Um deles abre a boca e respira de boca aberta, deixando antever a sua língua rosa.

Retiro o convite do bolso e entrego-o ao cicerone que me aguarda à entrada. Passamos um enorme salão. Daí, partem umas escadas ao andar de cima. Um enorme corredor. Os bibelots são de um gosto requintado, estilo Luis XIV. Os candelabros pendem do tecto divinamente pintado.
Descemos algumas escadas forradas de carpete vermelha, ligeiramente arqueadas para a direita e chegamos a um salão. Três portas lhe dão acesso: uma, a principal, por onde entro. Ao fundo, a segunda, parece dar acesso para outra câmara, mais privativa. Uma terceira, à esquerda, dá acesso à copa. O aroma de cera queimada sobrepõe-se à mistura de odores fabricados com flores e outras
O meu acompanhante abandona-me, "desejo-lhe uma boa noite, senhor!" Vejo-me sozinho.
À minha frente, uma enorme mesa. Dezoito cadeiras de espalda alta cercam-na. Ouvem-se violinos ao fundo, provavelmente um quarteto que actua para outros convidados.
Sento-me numa cadeira de topo. Aguardo. Finco os meus olhos no tecto, apreciando a pintura, as sancas trabalhadas a talha dourada, os frescos setecentistas. De um lado para o outro, a cena parece retratar o mito de Orfeu e Eurídice, a descida aos infernos.
As luzes sofrem uma quebra súbita. Semi-cerro os olhos e deixo-me embalar pelo intenso aroma que invade a sala.
Apareces por trás de mim. Vens da câmara cuja porta estava cerrada.
Levanto-me para te apreciar: estás com um vestido vermelho aos folhos. Apenas consigo ver as tuas mamas através do decote e os teus braços, que estão nús.
Tens um pendente seguro por um pequeno fio de prata, que contrasta largamente com a tua pele morena.
Chego a cadeira para trás. Sinto algo a querer saltar para fora das calças. Páras ao meu lado, como que convidando-me a apalpar-te. Meto as mãos no teu decote para te sentir os seios. Estão rijos e sedentos por que lhes mordam.
Abro-te as alças do vestido. Este cai, revelando totalmente o teu corpo. Estás agora de roupa interior. Cruzas os braços e ouves-me dizer: "quero vir-me dentro de ti." Duas cadeiras fazem espaço para tu apoiares as mãos na mesa. Os teus braços cedem sob a pressão que faço para me forçar dentro de ti. Abro a braguilha e saco o meu sexo cá para fora. Do bolso, tiro uma pequena navalha, que desdobro, faço subir a sua lâmina fria desde o teu calcanhar até ao teu sexo, encostando-a sempre à tua perna. Afasto os elásticos, ponho a lâmina entre os teus lábios já molhados e o tecido branco das cuecas. Puxo para baixo. As cuecas abrem-se mas o elástico em redor da cintua impede que caiam. Ajoelho-me e começo a lamber a tua vagina depilada, que jorra de prazer. Meto a minha língua lá dentro que forço para te chegar bem fundo. Quero lamber-te por dentro.
Cheiras bem; a tua vagina cheira a prazer. Agarro com força nas tuas coxas para não te mexeres e faço movimentos insistentes. Chupo-te tentando absorver toda a humidade que dela emana. O contacto entre os meus lábios e os teus emite um ruído de sucção, enquanto a minha língua te acaricia o sexo aveludado.
Meto o meu pénis dentro da tua vagina alagada. Soltas um grito, entre o prazer e a dor. Agarro na tua cintura para não teres hipótese de fugires. Forço-me dentro de ti. "Força!", incitas-me.
Faço movimentos de vai-vem, cada vez mais rápidos, ouvindo-te suplicar por mais, com mais força:
"Fode-me com força! Mais força."
E eu venho-me. Sentes o meu prazer quente quente dentro de ti!
Ponho-te de pé. Um líquido viscoso entre as tuas pernas.
Do bolso de dentro do meu casaco, tiro uma máscara, que te ponho. Branca. Só te recobre os olhos e as sobrancelhas. Deixa a tua testa, teu nariz, maçãs do rosto e queixo visíveis.
Tiro outra parecida para mim.
Damos as mãos.
Passamos ao Salão do lado. Abro a porta. Caminhas ao meu lado.
De soutien branco posto e de cuecas cortadas, todos olham para ti.
Olhas para todo o lado. Cenas de sexo ocasional entre pares deixam-te molhada.
O meu sexo procura nova atenção. Páro à frente de todos.
Retiro-te o que resta de roupa, ficando tu apenas com o pendente e a máscara.
Escolho um sofá onde me sento.
Ajoelho-te à minha frente. Roças o teu peito na parte de dentro das minhas coxas. O meu pénis atinge um volume razoável, pronto para a acção.
"Vou chupar-te!"
Sentes o teu próprio gosto, que lhe ficou colado.
Continuas. Mãos em tubo, boca a terminar. Para cima e para baixo.
"Assim! Bom!"
E assim ficamos durante dez minutos. Quinze minutos.
Vou passando o meu sapato pelo teu sexo, que desliza por mérito próprio e alheio.
Deito-te sobre os meus joelhos. Aprecio-te. As minhas mãos deslizam pela tua pele alva.
Aprecio o teu cabelo solto sobre as costas perfeitas, a passar as omoplatas.
Recompomo-nos.
Levo-te pela mão até outra sala contígua. Acompanhas-me por trás.
Ninguém nos liga, apesar de todos saberem que ali estamos.
Mais cenas de sexo ocasional entre casais na mesma circunstância. Por todo o palacete.
Regresso ao hall de entrada, onde o cicerone se encontra.
Abre-nos a porta da rua.
Saímos até ao carro.
Entras comigo e sentas-te no banco de trás.
Beijo-te o peito.
"Hoje, vens para casa comigo!"
-continua-

1 comentário:

Daniela disse...

Gosto de te ler... adorei o palacete à la 'eyes wide shut'. :) ate já..